terça-feira, maio 01, 2007

Relendo-se

Na primeira página de O Grande Gatsby, do Fitzgerald tem um parágrafo ou nem isso, muito interessante. Todo o livro é interessante, óbvio, mas não pretendo aqui falar do livro e sim desse trecho.
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É importante ler em qualquer época da vida, mas - quando mais jovem - me dava conta de que alguns livros que eu lia na adolescência, teriam de ser relidos mais tarde. Pensava que o motivo estava ligado com adquirir estruturas literárias mais complexas, ou seja, ler livros que tivessem estruturas com as quais eu não estava acostumado. Ou ainda, pensava num segundo motivo: ser jovem demasiado para determinada história. Os dois motivos fazem sentido, devemos reler certos livros anos depois e eles nos serão utéis de formas diversas das que foram no passado.
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Mas, nesse trecho de O Grande Gatsby, há um motivo bem mais forte para se reler as obras que lemos na juventude. Um motivo que mostra um "erro" comum na leitura de qualquer jovem que ainda não tem bem claro para si mesmo quem é. A típica, nas palavras de Erik Erickson, crise de identidade.
Eis o trecho:
"... as revelações íntimas dos jovens ou, pelo menos, os termos em que eles as exprimem, têm, habitualmente, muito de plágio e, o que é pior, de plágios desfigurados por evidentes supressões".
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Quem não lembra de fazer isso? Todos nós, quando jovens, somos leitores daquilo que queremos ser, não que - adultos - façamos obrigatóriamente diferente disso, mas a intensidade é bem menor, acredito, e há um maior interesse na verdade como ela é e não na verdade como nos convém.

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